segunda-feira, 5 de novembro de 2007





"Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas oportunidades que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.
Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto.
A resposta eu sei de cor, está estampada na distância dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados.
Sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz.
A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai.
Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são.
Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.
O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.
Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Pros erros há perdão; pros fracassos, oportunidade; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.
E não deixar que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfiar do destino e acreditar. Gastar mais horas a realizar que a sonhar, a fazer que a planejar, a viver que a esperar porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."


Luis Ferrnando Veríssimo.

sábado, 3 de novembro de 2007

Pessoas ou gente estúpida!?



Não há pachorra para a quantidade desmedida de seres inconcebíveis à fase, ainda que grande, da terra. Cambemos cá todos, mas há uma barda de criaturinhas que não deviam tão-pouco ter folgo.
É porém, uma visão suficientemente desumana da coisa, mas se viemos ao mundo todos na mesma condição de “seres humanos”, ora cum camandro, haja respeito uns pelos outros.
Parece-me a mim, que há tempo, há já muito tempo, se perderam valores, se é que alguns os chegaram a ter. O dialecto é unicamente o do murro e pontapé, quando não se agrava a outras linguagens de indecifrável interpretação.
Erros, todos nós os cometemos, talvez seja esse o maior pecado do Homem, ninguém é perfeito, contudo, “a falar é que agente se entende”.
Em remate à minha rebelião acidental quanto a essas pessoas que saem por ai de peito em raiva e cheios de navalhas na garganta a pressagiarem o diabo a 7, que se danem, mas que se ceifem bem longe da porta dos que nada têm a ver com isso, problemas que cheguem já todos temos para gozar à farta.